Em todas as palavras, Cruz e Souza

Evocações usa o figurino para desdobrar o poeta em três

TEXTO: Ana Paula Padilha

Todas as cadeiras ocupadas, as luzes completamente apagadas. Sem saber de onde vinha, uma voz suave começou a recitar palavras confusas e, ainda sim, profundas. Aos poucos, ela foi surgindo, com seu vestido azulado e seu paletó negro. Os sapatos, também escuros, eram majestosos instrumentos que exalavam o som das passadas firmes. O breu foi desaparecendo e Cruz e Souza estava ali, evocado em cada canto do lugar.

No meio do palco, uma caixa que remetia a um caixão. Eventualmente a atriz, em toda sua singularidade, conversava com os resquícios do poeta. Nos três textos apresentados, cada figurino encarnava o significado das emoções que o autor escrevera.

Evocações retrata o poeta em sua essência, quase que um monólogo ora desesperado, ora em calmaria. E o brilho, assim como as cores mais fortes, estão nas roupas e nos objetos, como forma de retratar a obra.

E assim, depois de sair de seu último traje, a personagem se aconchega carinhosamente dentro do caixote, abandonando todos os sentimentos e se deita tão lentamente, como se procurasse paz e deixasse para trás apenas o mantra do poeta. E então a luz foi repousando junto com os suspiros da atriz.

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