Caindo de trás para a frente e em pedaços

Meteoros transforma a luz e a narrativa fragmentada em pontos de tensão

TEXTO: Johannes Halter

Quando oito lâmpadas acendem atrás de dois corpos, o público aguarda o próximo movimento da Téspis Cia de Teatro. Trata-se do espetáculo Meteoros, que foi apresentado no dia 25 de agosto na Mostra de Teatro de Joinville CENA Nove. Com o Galpão da Associação Joinvilense de Teatro (Ajote) lotado, os atores puderam apresentar uma experimentação artística nova para o público que prestigiou a noite de encerramento da edição 2012 da CENA.

As luzes começaram concentradas, oferecendo um ambiente de mistério ao Galpão. Como era móvel, a iluminação mudava de posição de acordo com a etapa em que a peça encontrava-se. Corpos clareados ou de aspecto obscuro foram elementos trabalhados para complementar a performance dos atores. Uma experiência desenvolvida em Meteoros foi o uso dos próprios atores para mover as estruturas que sustentavam as luzes do palco.

Se somente dois eram os envolvidos, o mesmo não se pode dizer das histórias que expressaram. A cada movimento das lâmpadas, surgia uma nova perspectiva da mesma história. A cada apagar total da claridade, uma nova narrativa. Mas, entre cada novo detalhe ou conto, aspectos da vida envolvendo curiosidade, felicidade e morte tomavam posição. Não aspectos banais desses elementos, mas perspectivas perturbadoras da vida humana.

Dois atores em cena também manipulam o foco e a direção da iluminação do espetáculo (FOTO: Glauber Ronsani)

Diante de reflexões e revelações, o público compreende de forma fragmentada o desenrolar da trama não somente pelo seu conteúdo, mas também pela forma com que as informações são apresentadas – de trás para a frente, de forma picada e com o desenvolvimento paralelo de histórias diferentes. O poder de concentração é desafiado em Meteoros, pedindo um pouco mais do que boa vontade para interpretar seu conteúdo.

Ainda assim, depois de entender o que se passa, os conteúdos trabalhados perturbam o espectador. Estupro, assassinato, mutilação, virgindade, paixão, infância estão presentes consecutivamente na interpretação de Denise da Luz e Jônata Gonçalves. A quebra dos valores convencionais do comportamento humano, ou aquilo que é aceitável na aparência social, leva a uma reflexão sobre o papel do indivíduo e dos valores de sociabilidade.

A peça Meteoros foi escrita em fins de 2011 e montada sob direção de Max Reinert. A estreia aconteceu em 18 de agosto deste ano, em Itajaí, cidade de origem do grupo que tem como características a experimentação e o uso de linguagens inovadoras a cada peça. Meteoros tem somente dois atores, que fazem o trabalho de interpretar e mover a iluminação do espetáculo com precisão, ao lado de uma sonoridade bastante presente no decorrer dos seus 50 minutos de duração.

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